Felinho

FELINHO
(FÉLIX LINS DE ALBUQUERQUE)

Nasceu na cidade do Bonito, aos 14 de dezembro de 1895. Logo cedo iniciou os estudos de solfejo com João Archelau Lins de Albuquerque, seu tio paterno, que possuía sólidos conhecimentos musicais e exigia do sobrinho, que lesse música em todas as claves.

Teve, assim, um profundo ensinamento musical, tanto que, aos quinze anos de idade, tornou-se regente de bandas de música de várias cidades, como Catende, Ribeirão, Barreiros e sua própria cidade natal.

Com Antônio de Holanda, clarinetista que viveu muitos anos no Rio de Janeiro-RJ, aprendeu clarinete e trombone.

Trocando o interior pela capital, Felinho começou a tocar clarinete em cassinos e cinemas.

A partir da década de 1920, teve inicio suas constantes viagens ao interior do Estado, onde retomou sua função de regente de banda e, ao mesmo tempo, passou a lecionar música aos filhos dos usineiros.

Em 1932, foi trabalhar na PRA 8, Rádio clube de Pernambuco, onde chefiou um regional, o famoso regional do felinho e criou o Quarteto de Saxofones Ladário Teixeira, em homenagem ao saxofonista mineiro.

Paralelamente, integrava a Orquestra de Concertos e inaugurou, como flautista, a Orquestra Sinfônica de Recife-PE.

Em meio a tanta agitação profissional, nunca lhe faltou tempo para as mais belas composições, como os choros “Amoroso”, “Apaixonado”, “A Vida é um Choro” e as valsas “Olhos que Mentem”, “Silêncio” e “Triste Consolo”, dedicada àquela que era sua namorada na época e que, depois, tornou-se sua esposa.

As variações para clarinete, introduzidas por ele no frevo “Vassourinhas”, tornaram-no conhecido e admirado. Veio a falecer no Recife, no dia 9 de janeiro de 1980, deixando uma vasta obra musical.

Outras de suas obras:
“Formigão”, “Formigueiro”, “Pretensioso”, “Meu Choro a São João”, “Contemplando”, “Venha para o Choro, seu Paiva”, “Sacrifício por Amor”, “A Saudade Vive Comigo”, “Soluços”, “Suave Tortura”, “Delírio de Amor”, “Triste Consolo”, valsa, resgatada no LP “Compositores Pernambucanos no 1”,  da FUNDAJ, em 1987.

Fonte: “MPB – Compositores Pernambucanos – Coletânea – 1920-1995”, Renato Phaelante da Câmara, Fundação Joaquim Nabuco, Editora Massanga, 1997.

A COLUNA DE RAIMUNDO FLORIANO

FELINHO E O VASSOURINHAS

O Carnaval Pernambucano de 1944 foi marcado por uma “novidade”, que invadiu os salões e os blocos de sujo, sendo o grande sucesso no tríduo momesco daquele ano: o frevo de rua Vassourinhas, de Matias da Rocha e Joana Batista.

Ora, direis: – Vassourinhas! Esse frevo já não existia desde os fins do Século XIX?

E eu vos direi, no entanto, que a “novidade” se constituiu nas 8 variações para saxofone que o músico e compositor Félix Lins de Albuquerque, o Felinho, criou para dar mais graça, beleza e quentura à linda composição, marca registrado do Carnaval de Olinda e do Recife e que domina em todo o Brasil no cenário frevante.

Felinho criou escola. Hoje, já não se compreende mais o Vassourinhas, sem as famosas variações. E sua invenção deu asas à imaginação dos instrumentistas, cada qual inventando ou improvisando a seu modo, mas sempre se baseando em sua inspiradíssima obra. Assim aconteceu com Sivuca, Dominguinhos, Zé Gonzaga, Camarão, Arlindo dos Oito Baixos, cuja interpretação o amigo Abílio Neto apresentou nas páginas deste jornal, e tantos outros.

É também uma prova de fogo e destreza para todos os saxofonistas, os quais procuram exibir sua real intimidade com as urdiduras do mestre Felinho.

A gravação de que disponho é de 1946. Está no Álbum 78 RPM nº 15095, da Mocambo, Lado A, cujo selo traz Felinho como intérprete, acompanhado da Orquestra Mocambo, na época dirigida por Nélson Ferreira.

Fonte: Jornal da Besta Fubana -5 agosto 2009

FELINHO E O FORMIGÃO

A COLUNA DE RAIMUNDO FLORIANO

Lá no meu sertão, pro caboco dizer que é bom saxofonista, tem que dar as provas: tocar o frevo de rua Formigão de uma lapada só, inteiriço, sem tirar o sax da boca. São 2 minutos e 42 segundos de colcheias, semicolcheias, fusas e semifusas. Isso no meu sertão sul-maranhense de outrora, quando conheci dois grandes instrumentistas, Martinho Mendes e Leonizard Braúna, que realizavam essa proeza com extrema facilidade e perfeição. Foram eles os responsáveis por enorme parte das inesquecíveis peças que povoam minha memória musical.

Um dia, estando eu por lá, muito tempo depois do falecimento desses dois mestres, consegui, em precárias condições, que um saxofonista, cheio de cana, fizesse o registro em fita do citado frevo.

E os anos se passaram. Neste julho de 2009, depois de ter adquirido todos os 10 volumes da coleção O Tema é Frevo, contabilizando mais de 1.400 títulos no meu acervo frevoroso, decidi ter chegado a hora de conseguir a gravação original do Formigão, custasse o que custasse.

Lendo crônica do colunista fubânico Abílio Neto, supus que ele seria uma boa fonte a que recorrer. E com razão. Inicialmente, ele disse não possuí-lo. Mandei-lhe a        falhuda gravação de que dispunha. Imediatamente, ele me deu o retorno, enviando-me, em contrapartida, uma feita por Antônio Nóbrega e creditando a autoria ao compositor e músico Felinho. A coisa começou a esquentar.

Entrei em contato com diversos colecionadores da pesada, obtendo de todos respostas negativas, digo, exceto um, o amigo Roberto Lapicirella (lapiccirella@oi.com.br), de Camanducaia, MG, que me disse possuir uma gravação com tal nome, mas que era choro e não frevo. Quase desisti, o Roberto, era a última esperança. Mas, de repente, me veio um estalo: pedi-lhe que me mandasse o choro, para que eu o conhecesse. Como poucos sabem, aos colecionadores que possuem mais de cem mil fonogramas no seu acervo é impossível conhecê-los todos, de cor, com detalhes, valendo-lhes, nos seus controles, o que vem escrito nas capas, contracapas e selos de cada volume.

Surpresa! Era frevo mesmo! Porém, no Álbum 78 RPM nº 15095, Lado B, da Mocambo, de 1956, consta assim: Formigão, choro, composição e interpretação de Felinho. No Lado A, o frevo Vassourinhas, com a Orquestra Mocambo, tendo Felinho como solista nas 8 antológicas variações que ele criou para a música. No caso de Formigão, como a Orquestra Mocambo dele não participou, pode-se deduzir que a gravação ficou a cargo de Felinho e Seu Regional. É peça rara, raríssima, agulha no palheiro!

Tem-se notícia de que o frevo Vassourinhas, introduzindo Felinho e seu sax-alto com suas 8 variações, foi gravado nos estúdios da PRA-8, em 1944, pela orquestra da emissora, sob a regência do Maestro Nélson Ferreira. Sucesso absoluto no Carnaval daquele ano.

Conseguido o registro sonoro, faltava-me a imagem do intérprete. Outra quase intransponível barreira. Pesquisei em todos os sites possíveis e impossíveis, e a resposta era sempre a mesma: nadica de nada! E, novamente, Abílio Neto veio em meu socorro. Mexeu lá com os seus pauzinhos, e o resultado foi que a foto me chegou, gentilmente enviada pela Fundação Joaquim Nabuco, mediante Termo de Responsabilidade de que só a usaria neste JBF e para ilustração desta matéria. Outra agulha dentre as mais invulgares!

Prosseguindo, vamos saber um pouco do que foi esse músico, meu parente, eis que primo distante de minha mãe, Maria de Albuquerque e Silva, descendentes ambos de Jerônimo de Albuquerque, o Adão Pernambucano. Os dados aqui expostos foram colhidos no Google, especialmente da disponibilização da Editora Revivendo, a qual externa agradecimentos a Leonardo Dantas Silva, pela biografia enviada, o que ora também faço.

Félix Lins de Albuquerque, o Felinho, nasceu na cidade do Bonito, PE, aos 14 de dezembro de 1895.

Logo cedo, iniciou estudos de solfejo com João Archelau Lins de Albuquerque, seu tio paterno, que possuía sólidos conhecimentos musicais e exigia do sobrinho que lesse música em todas as claves. Teve, assim, um profundo ensinamento musical, tanto que, aos quinze anos de idade, se tornou regente de bandas de música de várias cidades, como Catende, Ribeirão, Barreiros e a própria cidade natal.

Com Antônio de Holanda, clarinetista que viveu muitos anos no Rio de Janeiro, RJ, aprendeu saxofone, clarinete e trombone, piano e outros instrumentos. Mudando-se do interior para o Recife, começou a tocar em cassinos e cinemas. A partir da década de 20, tiveram início suas constantes viagens ao interior do Estado, onde retomou sua função de regente de banda e, ao mesmo tempo, passou a lecionar música aos filhos dos usineiros.

Em 1932, foi trabalhar na PRA 8, Rádio Clube de Pernambuco, onde chefiou um regional, o famoso Regional do Felinho, e criou o Quarteto de Saxofones Ladário Teixeira, em homenagem ao saxofonista mineiro. Paralelamente, integrou a Orquestra de Concertos e inaugurou, como flautista, a Orquestra Sinfônica do Recife.

Em meio a tanta agitação profissional, nunca lhe faltou tempo para as mais belas composições, como o frevo Formigão, objeto desta crônica, os choros Amoroso, Apaixonado e A Vida É Um Choro, e as valsas Olhos Que Mentem, Silêncio e Triste Consolo, dedicada àquela que era sua namorada na época e que, depois, se tornou sua esposa. As oito variações para saxofone introduzidas por ele no frevo Vassourinhas fizeram-no conhecido e admirado.

Veio a falecer no Recife, no dia 9 de janeiro de 1980, deixando uma vasta obra musical, como estas outras composições de sua lavra: Formigueiro, Pretensioso, Meu Choro a São João, Contemplando, Venha Para o Choro, Seu Paiva, Sacrifício por Amor, A Saudade Vive Comigo, Soluços, Suave Tortura e Delírio de Amor.  A valsa Triste Consolo foi resgatada no LP Compositores Pernambucanos Nº 1, da FUNDAJ, em 1987.

Fonte: Jornal da Besta Fubana

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FONTE: http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Felinho&ltr=f&id_perso=867

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