Moacir Santos

Moacir SantosSOBRE MOACIR SANTOS
* 26/07/1926 Flores do Pajeú, PE, Brasil.
† 06/08/2006 Los Angeles, CA, EUA.

Instrumentista, arranjador, compositor, maestro, professor.

A obra do compositor, instrumentista e maestro brasileiro Moacir Santos, nascido no Alto Sertão Pernambucano, é reconhecida como uma das mais ricas e originais da música brasileira. Seu estilo peculiar, desenvolvido sobre gêneros populares e eruditos, associa a sonoridade característica das bandas de música e jazz-bands de sua formação inicial no sertão à ampla experiência adquirida em sua atuação como maestro e arranjador no Brasil e nos Estados Unidos

Na infância, Moacir tocava nas bandas do sertão. Depois de percorrer diversas cidades e capitais do Nordeste, chegou ao Rio de Janeiro no fim da década de 1940, onde trabalhou na Rádio Nacional. Foi contratado inicialmente como saxofonista, mas pouco depois tornou-se maestro, passando a integrar um time de profissionais do gabarito de Radamés Gnattali e Lyrio Panicalli. No auge da bossa nova, foi professor de personagens fundamentais da música popular brasileira, como Baden Powell, Paulo Moura, João Donato, Sergio Mendes e Nara Leão.

Na década de 60, compôs trilhas sonoras para o cinema novo (Ganga Zumba, O Beijo, Os Fuzis e Seara Vermelha) e lançou o seminal LP Coisas. Sua música de maior sucesso, Nanã, foi gravada em centenas de interpretações e é tocada no mundo todo. Em quarenta anos de vida nos Estados Unidos, onde foi morar em 1967 após a ótima repercussão da trilha sonora composta para a produção hollywoodiana Amor no Pacífico, Moacir Santos consolidou sua reputação como compositor e professor. Lançou quatro LPs autorais, três deles pela renomada gravadora Blue Note, e passou a ter seu nome associado a grandes expoentes do jazz, como Horace Silver, Joe Pass, J.J.Jonhson, Frank Rossolino, Gary Foster e Clare Fischer.

No Brasil, sua obra foi reapresentada ao público no início dos anos 2000, no âmbito do Projeto Ouro Negro, dos produtores e instrumentistas Mario Adnet e Zé Nogueira. Moacir Santos foi agraciado com inúmeros prêmios e homenagens, entre eles a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura e o Prêmio Shell da Música Brasileira, em 2006.

Fonte: blog Marcos F.M.

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Moacir Santos – formação

fonte: Músicos do Brasil: Uma enciclopédia instrumental

Moacir Santos ficou órfão muito cedo, e não há registro de músicos em sua família. “Quando mamãe morreu,eu tinha uns 3 anos, mais ou menos.”

Lembro de estar no quintal da casa, batendo latas, imitando a banda da cidade. Porque eu tinha uma bandinha: uns cinco meninos, tudo nuzinho, porque lá é muito quente e porque a gente era pobre. […] O meu instrumento era lata, eu ficava batendo lata de goiabada. Ta-ta-ta-ta, tocando. Eu tenho isso pra mim, que eu já nasci músico, nasci com a música. Eu era também diretorzinho dos meninos da banda, quando a gente era criança.

A região onde nasceu, o sertão de Pernambuco, é também terra de flautas de pífano, que desde cedo as crianças se acostumam a ouvir, construir e tocar. E, por um acaso feliz, havia em Flores do Pajeú, cidadezinha onde foi morar, uma banda marcial.

Eu era um garoto. Via os intrumentos, ia mexer, mas quando encostava alguém gritava: ‘Mexe aí não, moleque’. Como ia sempre nos ensaios, me chamaram para tomar conta dos instrumentos. Como era eu que vigiava, podia tocar à vontade (risos). Aprendi todos os instrumentos. Um dia pedi para o Mestre Paixão para tocar. Ele deixou, então peguei o trompete e toquei. Quando me viu tocar, ele, que era trompetista, disse: ‘Tudo bem, mas você vai tocar é clarineta’.”

Moacir tinha apenas 14 anos quando isso aconteceu, e vivia como andarilho, percorrendo sozinho as cidades do interior pernambucano, tocando em bandas e circos. Aos 16 anos, um episódio marcante:

“Ler de primeira vista, é uma outra coisa; eu sabia música, devagar mas eu sabia. Mas quando eu fui à Bahia pra ler um ensaio com o Joca do Piston, ele falou: ‘Vocês tenham paciência com este rapaz que ele é muito promissor, ele promete muito’, eu aprendi na marra, eu me envolvi de um tal jeito com o negócio e aprendi de vergonha, uma vergonha dos músicos que tocavam.”

Em Salvador, surge outro dos elementos formadores do músico Moacir Santos:

“Entramos na Bahia […] fui terminar em Salvador. Conheci o pessoal assim dos Estados Unidos, o pessoal que ia a Paris. Era na época do Cassino Tabaris … época da guerra, entre 42, 43, e na época da guerra o Cassino Tabaris tinha muitos músicos de fora que vinham tocar lá […] Eu nunca cheguei a trabalhar lá, mas aprendi muito com os músicos de lá, com os saxofonistas […] tinha um que tocava com o saxofone deitado […] mas eles tinham um som, eles eram monstros para mim naquela época.”

No ano de 1949, aos 23 anos, quando já era músico respeitado, e sax-tenorista da jazz band do Maestro Chiquinho, na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, Moacir tomou a decisão de tornar-se um músico completo. Aproveitando o rico ambiente da rádio e da cena musical do Rio de Janeiro, passou a estudar harmonia, contraponto, fuga e composição com os melhores mestres: Paulo Silva, José Siqueira, Virginia Fiusa, Cláudio Santoro, João Batista Siqueira, Nilton Pádua, Guerra-Peixe e o maestro alemão Hans-Joachim Koellreutter – discípulo de Arnold Schoenberg, um dos criadores do dodecafonismo e, também, um dos mais cultuados professores de harmonia na música erudita – do qual Moacir se tornou assistente por algum tempo.

Sua ânsia de aprender era tanta, que Moacir chegou a estudar com cinco professores na mesma semana, um a cada dia.

“Aprendi a ouvir a música erudita desde que estudava com Paulo Silva.

O elemento que faltava em sua formação veio do contato com o jazz:

“Moacir me falou muitas vezes sobre os arranjos do Gerry Mulligan, e como o jeito de tocar do Mulligan o inspirou a adotar o saxofone barítono” (Mario Adnet)

Completava-se assim o ciclo de formação, durante o qual Moacir incorporou a seu talento inato o ritmo, os sopros, as bandas de metais, o jazz, o clássico e o domínio da teoria, da harmonia e da composição.

Fonte: Músicos do Brasil: Uma enciclopédia instrumental

veja mais: http://musicosdobrasil.com.br/verbetes.jsf

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