Evolução da MPB

Resumo sobre a evolução da Música Popular Brasileira

Este resumo pretende apenas apresentar uma linha de desdobramento estilístico na história da Música Popular Brasileira. Essa síntese é fundamentada de acordo com a pesquisa do músico, professor e escritor Edson Melo (MPB – Análise da Evolução da Harmonia – 1988).  Ele sugere fases distintas e interligadas, contendo características harmônicas especificas, para facilitar o estudo e compreensão do desenvolvimento da MPB.
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De inicio:

indios-do-Xingu

Nossa Música era tida como primitiva. No entanto para os afro-ameríndios a Música ainda “é” parte integrante do organismo social, tendo sua vida própria.
Os ritos são acompanhados por cantos, tambores e/ou flautas. Atualmente esse conceito “música primitiva” vem sendo revisto. A complexidade de muitas dessas células rítmicas revela  maior sofisticação.

africanos

Entre 1500 e 1800, período em que os europeus invadiram a África, Austrália e as Américas encontraram milhões de nativos (aborígines, índios) celebrando seus ritos milenares de vida e morte, de guerra e paz com música, dança, grandes e poderosos “deuses” dominando segredos dos antigos tempos e do mundo dos espíritos pré-cristãos.
Por meio do mercantilismo essa ordem foi quebrada.
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Primeira fase: Entre 1860 e 1920

Por volta de 1860/1870  nossa cultura  começa a ser caracterizada pela nossa miscigenação que se expressa pelo folclore e ritmos regionais: choro, samba, maracatu, coco, ciranda, baião, xaxado, frAnacleto de Medeiros evo.

A relação entre harmonia natural e melodia era direta, sem subterfúgios e simples.

Contudo o pesquisador chama a atenção para o fato que isso não tirava dessa ambientação musical seu valor de complexidade musical. A comunicação do povo como voz da brasilidade tem ai seu inicio.

veja também: Chiquinha Gonzaga, Carlos GomesAnacleto de Medeiros,  Catulo da Paixão CearenseJoaquim Antônio da Silva Callado JúniorViriato Figueira da Silva, Ernesto Nazareth,
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O Movimento Antropofágico e a busca pela identidade nacional

Surgíamos para o mundo como o enigma de uma etnia

Surgiu nos anos 20 com o Manifesto Antropofágico. O legado do Concretismo dos irmãos Augusto e Haroldo de Campos, que, segundo João Cabral de Mello Neto  prestou um serviço sem par à poesia brasileira, a Antropofagia foi o mais consequente movimento dentro do modernismo brasileiro, fundando uma identidade cultural que teve reflexos na música brasileira, por exemplo, sendo a Bossa Nova e o Tropicalismo dois casos típicos de concretização dos ideais de “deglutição” ou “devoração crítica” propostos por Oswald de Andrade.

Villa Lobos (1887-1959)

O Brasil, nesse momento de sua história estava se descobrindo, uma terra onde as primeiras misturas raciais geravam um povo diferente do resto do mundo.

No final do século XIX tínhamos Carlos Gomes como representante de nossa emergente musicalidade e no inicio do século XX Villa Lobos consegue sedimentar a importância do compositor no registro da personalidade nacional através da Música como componente autônoma e suficiente em si.

Sendo assim fomos da música primitiva, a sua feição popular, até atingir o estágio clássico em curto espaço de tempo.
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Segunda fase:

Cartola e Radamés Gnatteli

Entre as décadas de 30 e 60 surgem as canções, o frevo, chorinho, as primeiras marchinhas de carnaval, a indústria fonográfica e os primeiros programas de rádio. As composições são elaboradas com harmonia mais rica, inversão de baixos e modulações.

Radio Nacional

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Surgem também os primeiros Mestres como Pixinguinha, Noel Rosa, CartolaRadamés GnatteliJoão Pernambuco 

E os primeiros ídolos: Francisco Alves, Nelson Gonçalves, Emilinha Borba, Carmem Miranda, Orlando Silva, Ângela Maria.

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aTerceira fase:

João Gilberto

Caracterizada com a criação da Bossa Nova, nos anos 60, o samba brasileiro foi influenciado pelo cool-jazz norte americano.
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Foi introduzido o acorde de passagem, dissonância e uma certa erudição harmônica.
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Nossa música encontrou uma linguagem completamente nova. Essa abertura lançou o Brasil para o mundo.
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na bossa: João GilbertoTom Jobim,

 na musica instrumental: Baden Powell,  Moacir Santos,

Enquanto a Bossa Nova trabalhava com:
harmonia rica, e acordes dissonantes,
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com o Tropicalismo surgiu:
a diversificação cultural-musical.

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Quarta fase:

Maestro Rogerio Duprat e Tropicalistas

O Tropicalismo surgiu e sumiu em 1968 para fazer da “geleia geral e da liberdade criativa” a inspiração estética que fez com que o Movimento expandisse fronteiras.

Um laboratório experimentalista, cosmopolita, de ampla abrangência etno-estética.

Havia a busca de liberdade de expressão, e o conhecimento necessário, que possibilitou aos tropicalistas agregar novos elementos a MPB como os da música pop, da música da América Central, do Norte e do Oriente.

A onda era: “proibido proibir”. Surgiram grandes compositores e interpretes. Dois importantes maestros estavam ligados aos músicos tropicalistas, Julio Medalho e Rogério Duprat
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 Pós-tropicalismo:

   A década de 70 trouxe outra importante inovação na MPB. É representado pela escola mineira do Clube da Esquina, com harmonias complexas e modulações que refletiam a sofisticação conceitual no canto e no arranjo instrumental.
Milton Nascimento, Fernando Brant, Tavinho Moura, Wagner Tiso, Beto Guedes são compositores deste período.
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   Ainda na década de 70 o Movimento Armorial, é outra importante iniciativa artística que buscava criar uma arte erudita a partir de elementos da cultura popular do Nordeste Brasileiro.
Um dos fundadores é o escritor Ariano Suassuna. Tal movimento procura orientar para esse fim todas as formas de expressões artísticas: música, dança, literatura, artes plásticas, teatro, cinema, arquitetura, entre outras expressões.

Conclusão

Essa riqueza musical, descrita nas diferentes fases da história da evolução da MPB, não chega ao grande público, pois é  limitada pelo interesse de mercado, da indústria fonográfica, que dificulta, mas não impede as possibilidades criativas de vencer a inércia do velho mau gosto.

Mesmo massacrados pelo pouco espaço de divulgação, nas redes AM, FM e de TV direcionadas para a música sem arte, desprovida d’alma e transbordante em interesse mercadológico, a guerrilha daqueles que tomam Música como arte-cultura não desiste de criar!

Períodos de formação

bairro do recife – trapiche – inicio do século XX

As bandas como organização civil, “Sociedades Musicais” só começaram a surgir em meados do século XIX na Bahia, Minas Gerais e São Paulo. Porém, um francês que visitou a Bahia em 1610, conta que um ricaço possuía uma banda de música de trinta figuras, todos negros escravos, regidos por um francês provençal.

Charamelas

Na realidade, esta banda era composta de flautas, e tambores, as quais tinham a denominação de “Charamelas”, devido às flautas do mesmo nome. As charamelas no Brasil foram as antecessoras das bandas de música, principalmente nas festas religiosas, nas novenas, procissões e etc. Nestas festas era quase que obrigatória a participação de negros charameleiros, envergando vestes coloridas nos adros das igrejas.

Fonte: livro O Papel das Bandas de Música

Em 1814 a música do regimento militar aparece substituindo as charamelas. E a partir da década de 20 do século XIX as bandas foram surgindo e desenvolvendo-se por todo o Brasil, inclusive em Pernambuco, nos batalhões militares, tocando em todas as festas com uma música de sonoridade mais forte, exercendo com maior e melhor desempenho o papel das charamelas.

As bandas, embora surgidas em Pernambuco desde as primeiras décadas do século XIX, só tiveram o seu pleno desenvolvimento após 1860, quando MORITZ introduziu o contrabaixo, o qual teve o nome de HELICON e depois TUBA e Adolfo Sax inventou o SAXOFONE, dois instrumentos que deram maior volume e harmonia às bandas.

a Música, a Dança e as Bandas

As bandas divulgavam as músicas e danças oriundas do continente europeu para a sociedade brasileira. Dentre estes ritmos musicais destacados, a “Valsa”, surgida na França em finais do século XVI, chegando ao Brasil por volta de 1837. A “Polca”, uma dança que teve origem na Bohemia, é dançada no Brasil pela primeira vez em 1845, vindo depois o “Scotish” de origem inglesa, em 1851

Posteriormente, estes gêneros musicais (valsa, polca, scotich) tomam características particulares, sofrendo influência de ritmos e costumes existentes no Brasil, começando a se abrasileirarem, com novas interpretações das fusões desses ritmos, surgindo novos gêneros musicais oriundos das classes sociais urbanas e rurais.

O primeiro tipo de dança urbana criada no Brasil foi o “MAXIXE”, surgido em 1870 aproximadamente. O Maxixe era a junção de vários elementos como a Habanera, a Polca e o Lundum, este último de origem africana, trazido pelos negros escravos e introduzido no meio social. A fixação do Maxixe na música popular brasileira se deve ao compositor Ernesto Nazaré, introduzindo o mesmo nos salões das casas senhoriais, nos saraus, ao som dos pianos e nos clubes aristocráticos.

Outra forma musical difundida pela banda é o “DOBRADO”, originário das marchas européias. Aqui tomou formas novas sofrendo influência do meio social e adequando-se ao mesmo. O dobrado, ainda hoje é largamente executado pelas bandas de música militares nas paradas, desfiles de tropa, cerimônias outras, como pelas bandas civis nos desfiles pelas cidades a caminho das retretas, nos desfiles cívicos, na chegada de autoridades, etc.